• Silvia Lima Vallochi    Psicóloga Clínica

    CRP 06/50.888-3

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Referencial Teórico

Iniciei meus atendimentos em 1997 baseando-me nos conceitos fundamentais de Carl Gustav Jung e sua Psicologia Analítica (leia mais). Posteriormente descobri e complementei essa visão simbólico sistêmica através da visão holística da Psicossomática (leia mais). Hoje tenho como visão do Homem um ser integrado a uma complexidade de referenciais que abrangem instâncias físicas, psíquicas, sociais, espirituais, energéticas e ecológicas.

 


“O problema essencial que guia todos os meus esforços é a desordem da alma. Pretendo ser somente um bom médico de almas.” Carl Gustav Jung
 

 

Psicologia Analítica    

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um psiquiatra suíço que desenvolveu a Teoria Analítica (inicialmente Teoria dos Complexos) baseada na experiência obtida na clínica psiquiátrica de Burgholzli, nos estudos de Freud e no amplo conhecimento que tinha das tradições da alquimia, da mitologia e do estudo comparado da história das religiões.

Diferentemente de Freud, Jung via o inconsciente não apenas como um depósito de memórias e das pulsões reprimidas, mas também como um sistema passado de geração em geração, vivo em constante atividade, contendo todo o esquecido e também novas formações criativas organizadas segundo funções coletivas e herdadas (arquétipos).

Para Jung o Sistema Psíquico é formado basicamente por três instâncias interligadas dinamicamente entre si: a consciência, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo. A consciência tem como núcleo o Ego, o “Eu”, identificado como nossa personalidade. O Inconsciente Pessoal abrange aspectos ligados às experiências pessoais de cada um e conteúdos reprimidos. É formado por inúmeros complexos. O Inconsciente Coletivo é a instância mais profunda, compreende todos os símbolos criados pela humanidade, como religiosos, culturais, mitológicos, heróis dentre outros.

Para Jung o inconsciente é a chave fundamental para a Psique Humana, pois é onde se localiza a fonte criativa da consciência. A linguagem usada entre o inconsciente e o consciente é feita através dos símbolos. Assim, se buscarmos uma compreensão dos símbolos criados espontaneamente pela consciência poderemos compreender as mensagens do inconsciente e transcender em seus significados. Buscar compreender a amplitude de sintomas orgânicos, símbolos de comportamento, de músicas que nos tocam, histórias significativas, entre outras instâncias é buscar uma amplitude de consciência. É dimensionar a psique que, através de seu processo de “auto-cura”, movimenta-se e busca por equilíbrio.

Um dos papéis do psicólogo clínico é o de intervir no paciente para promover a movimentação psíquica, propondo uma observação mais detalhada de suas atitudes conscientes, de sua dinâmica de repetição, de seu comportamento por regiões sombrias (desconhecidas), buscando possibilidades de mudança através da melhor comunicação com os conteúdos inconscientes.

Este processo de amadurecimento psíquico foi compreendido por Jung como Processo de Individuação. Assim, buscar compreender nosso inconsciente é buscar compreender a nós mesmos. Saber quem somos, quais nossas limitações, nossas facilidades, nossos dons… E para Jung, “(…) só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.” Quanto mais nos conhecemos e lidamos com o mundo através de nossas características próprias, relativizando pressões sociais, familiares e religiosas, por exemplo, mais nos aproximamos de nós mesmos, de maneira a sermos um Indivíduo Saudável, Total.

Existem vários recursos que o Psicólogo pode utilizar para favorecer a comunicação do paciente com seu inconsciente. A linguagem verbal é bastante utilizada, pois possibilita a descoberta dos componentes conscientes, favorece a associação livre e pode ampliar símbolos. Mas existem muitos outros meios de comunicação simbólica, como:
 

 

Análise de Sonhos: reflexão do material onírico (sonhado) apresentado pelo paciente ao longo das sessões. São analisadas as histórias, as imagens, símbolos pessoais e coletivos, sensações, impressões e associações feitas pelo sonhador. “Os sonhos são as manifestações não falsificadas da atividade criativa inconsciente.” Jung

Sandplay (ou caixa de areia): é um método psicoterapêutico onde o paciente cria cenários, utilizando miniaturas, em uma caixa com areia. As imagens construídas geram um diálogo entre inconsciente e consciente, ajudando no desenvolvimento da psique.

Técnicas expressivas gráficas ou plásticas: desenhos com temas dirigidos ou livres, pinturas, trabalhos com argila, testes projetivos e outros.

Histórias e Contos: contos de fadas, histórias diversas trazidas pelo paciente ou propostas pelo psicólogo

Materiais diversos: textos produzidos pelo paciente, músicas, produções artísticas, filmes etc.
 

 

Psicossomática

A Psicossomática é a ciência que estuda a correlação e a integração das instâncias ligadas ao ser humano, que refletem como ele age em relação à vida e que o concebem como um TODO. Essas instâncias são: físico, emocional, social, espiritual, energético, ecológico. Assim, se há algum conflito em uma dessas instâncias, o sintoma surge como um mensageiro do Self (da Totalidade Humana) para avisar-nos de que algo está em desequilíbrio. Assim, a Psicossomática é a leitura e a compreensão dos sintomas de uma doença como oportunidade para uma reorientação dos propósitos daquele indivíduo.

Assim, a mensagem dos sintomas é a de que devemos olhar para dentro de nós e descobrirmos onde paramos, como e onde deixamos de crescer. Como disse Jung, “Quem olha para fora está sonhando, quem olha para dentro está acordado”.

A doença é, portanto, um meio pelo qual nossa totalidade tenta nos avisar de que deixamos algo para trás e precisamos recuperar. Aqui não é vista como um mal, mas sim como a oportunidade de crescimento. Se lidamos conscientemente com o conflito não há a necessidade de somatizar. Ou seja, não há a necessidade de mudar de linguagem para ter a atenção da consciência porque isso já foi feito com a reflexão sobre o problema em si. O sintoma aparece quando isso não ocorre.

O meio de comunicação entre o Inconsciente e o Consciente é a linguagem simbólica, e uma dessas manifestações é feita através de sintomas. Os sintomas são expressões simbólicas 

que, de forma violenta, violam e denunciam conflitos não resolvidos da alma, mas que consequentemente revelam uma possibilidade de evolução deste ser.

Ao surgir uma doença, devemos observar o órgão afetado, seus sintomas e refletir sobre isso e sobre o momento em que surgiu o problema. Tentar lembrar da situação de vida em que estamos, nossos pensamentos, sonhos etc, pois tudo isso pode ter contribuído para o surgimento do sintoma. Um sintoma geralmente tem mais do que um significado e serve para simbolizar diversos processos inconscientes. Raramente há uma única causa para resultar num sintoma.

Como a idéia é a de que somos seres integrados, a visão junguiana de uma doença passa por uma reflexão da fisiologia e funcionalidade do ou dos órgãos afetados e qual é a simbologia relacionada por eles. Assim, temos uma idéia de quais fatores, comportamentos ou valores de conduta daquela pessoa estão sendo questionados por sua psique. Na terapia Psicossomática Junguiana essa leitura contribui em muito para uma análise mais profunda daquela pessoa e a ajudá-la ainda mais em seu processo de individuação.
 

“Símbolos falam para a alma, são figuras carregadas de energia dos potenciais inatos do ser humano; quando eles são expressados, continuam o desenvolvimento do homem.” Dora Kalff